Xango
- Details
- Hits: 1123
“Senhor da Justiça”

|
Xangô é um rei absoluto, forte, imbatível, é quem cuida da administração e do poder. Ele é o símbolo máximo da justiça. Na Natureza é o trovão, o fogo do céu. O seu poder mágico reside no raio, o fogo que corta o céu, que destrói, mas que também transforma, protege e ilumina o caminho. Este orixá é guerreiro, forte, viril, orgulhoso, íntegro, irremovível e apaixonado. Com todas estas características, é natural que um certo autoritarismo e preserverança, façam parte da sua personalidade e maneira de ser, fazendo com que tudo em si lembre o fogo. Apesar de atrevido e prepotente, suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas e correctas. É ele que decide sobre o bem e o mal, é uma espécie de faz-tudo, perseguindo e punindo os malfeitores com rigor e isenção. O raio é uma das armas por ele usada, como eventual castigo. É o resultado de um processo judicial, onde os prós e os contras foram devidamente pensados e pesados, ou seja, a famosa balança da justiça. Se uma casa for atingida por um raio e assim destruída, é porque recebeu a ira de Xangô, mas por outro lado se o mesmo atingiu apenas uma árvore que estava perto e não feriu ninguém, é sinal da sua bênção |
|
Esta divindade tornou-se assim, o Orixá da justiça, pois não admite a mentira e a falsidade. Ele protege juízes, promotores, advogados e todos os que se ocupam e interessam por fazer e aplicar a verdadeira justiça. É um Orixá com imensas histórias interessantes para contar, sempre cheias de batalhas vigorosas e de grandes vitórias. É dotado de um espírito aventureiro, libertino, inteligente, impulsivo e violento, fazendo em muito lembrar Zeus, o deus Grego. Xangô teria morado num castelo no alto de uma pedreira ou, num castelo de fogo nas nuvens juntamente com os seus doze ministros denominados “Obagues”. Tudo neste Orixá lembra a realeza: as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder e até a cor vermelha sempre associada à nobreza. Ele pisa sobre o fogo, o seu tapete vermelho original. As formações de rochas cristalinas nos terrenos rochosos, nas pedreiras e nos maciços, estão relacionados a Xangô. Tal como o seu carácter, também a pedra é dura, firme, inquebrável e incorruptível. O seu símbolo é um machado de duas lâminas, feito de madeira de lei – Oxé. Este além de ser uma arma de guerra, é o instrumento através do qual ele aplica a justiça, uma vez que sendo duplo corta em duas direcções opostas, isto é, não faz distinção. Um administrador da justiça, como este orixá, nunca poderia olhar apenas para um lado da questão ou defender os interesses de um mesmo ponto de vista. Esta é a marca da independência e da abrangência da justiça por ele aplicada. Outro factor importante a salientar sobre este poderoso Orixá, é o seu mau relacionamento com a morte. Xangô em toda a essência do seu ser, teme os Eguns, espíritos dos mortos. Uma das suas oferendas preferidas é o “Amalá de Xangô”, no qual dois dos ingredientes utilizados são os quiabos e os camarões secos. Esta iguaria depois de confeccionada, é-lhe oferecida numa gamela de madeira. As pessoas que lhe são dedicadas usam colares de contas vermelhas, cor que indica a sua relação com o elemento fogo, e de contas brancas, pela sua ligação com Oxalá. Quarta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Na religião católica é sincretizado com São Jerónimo, São Pedro e Santo António. Saudação: “Kawó Kabiesilé” |